Setembro Amarelo – Dicas de Ações + Pacote de Materiais

O Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, foi criado em 2015 e é uma das campanhas mais importantes do ano. Leia o artigo e veja como falar de um tema tão delicado no ambiente de trabalho.

Você já ouviu falar em ansiedade, depressão, saúde mental e terapia? Essas palavras não querem dizer a mesma coisa, mas ganham cada vez mais espaço na mídia e nas redes sociais. Porém, existe outra palavra que ficou escondida por muito tempo, mas que aos poucos recebe a atenção e o cuidado que merece: o suicídio.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos. Números como esses e vários outros acabaram inspirando o Setembro Amarelo. Uma campanha promovida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) desde 2015.

No entanto, antes de se tornar uma campanha com alcance mundial, muita coisa aconteceu. Acompanhe a linha do tempo:

1994 – Fita Amarela

Imagem ilustrativa de um Mustang amarelo, o carro de Mike Emme.
Imagem ilustrativa de um Mustang amarelo, o carro de Mike Emme. Fonte: https://bit.ly/2WM6oT1

Lá nos Estados Unidos, ela começou com a morte do jovem Mike Emme, em 1994. O adolescente adorava carros e, antes mesmo de aprender a dirigir, comprou um Mustang 1968. Na ocasião, ele reformou e pintou o veículo de amarelo, o que mais tarde seria a cor símbolo da campanha. Infelizmente, Mike se suicidou aos 17 anos.

Em seguida, para homenagear o garoto, amigos e familiares criaram pequenos cartões com uma fita amarela (yellow ribbon, em inglês). Igual ao Mustang que ele tanto amava. Cada cartão tinha a frase: “Se você está pensando em suicídio, entregue o cartão a alguém e peça ajuda!”. Em resumo, o objetivo era ajudar os jovens que também pensavam em se suicidar.

2003 – No mundo

O Yellow Ribbon começou com 500 cartões no funeral de Mike. Contudo, a ideia cresceu e se espalhou pelos Estados Unidos e pelo mundo. Sendo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu ampliar o movimento, adotando o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, em 2003.

2015 – No Brasil

Monumentos iluminados em prol da campanha do Setembro Amarelo.
Monumentos iluminados em prol da campanha do Setembro Amarelo. Fonte: https://bit.ly/3kJgLyP

A campanha chegou no Brasil por meio do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Em vez de concentrar as atividades em um dia só, as instituições criaram o Setembro Amarelo, um mês totalmente dedicado à prevenção do suicídio.

Sendo assim, empresas e locais públicos são iluminados de amarelo para chamar a atenção das pessoas sobre a importância do tema. No ano de lançamento da campanha, por exemplo, o Cristo Redentor (RJ), o Congresso Nacional (DF), o Estádio Beira Rio (RS) e o Elevador Lacerda (BA) ganharam novas luzes.

No entanto, além das mudanças nas grandes cidades, existem ações ainda mais importantes. São caminhadas, eventos, palestras, rodas de conversa e muito mais. O objetivo? Falar sobre o assunto e fazer as pessoas pensarem.

Setembro Amarelo: a saúde mental e o suicídio em dados

O Brasil registra cerca de 12 mil suicídios todos os anos. Entre as causas mais comuns, estão os transtornos mentais. Para se ter uma ideia, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do IBGE aponta que, em 2019, 10,2% das pessoas com 18 anos ou mais foram diagnosticadas com depressão. O que corresponde a 16,3 milhões de pessoas.

E não é só isso! Segundo a OMS, o Brasil é o país com maior índice de ansiedade do mundo, com quase 19 milhões de pessoas. Um dos fatores que motivaram esse aumento foi a pandemia do coronavírus. Afinal de contas, o isolamento e a perda de pessoas queridas mexe com o emocional de muita gente.

Uma aula sobre saúde mental

Simone Biles ganhou cinco medalhas de ouro no Mundial de Ginástica Artística na Alemanha, em 2019.
Simone Biles ganhou cinco medalhas de ouro no Mundial de Ginástica Artística na Alemanha, em 2019. Foto: Marijan Murat

“Não confio mais tanto em mim quanto antes. Talvez seja o fato de estar ficando velha. Não somos apenas atletas. Somos pessoas. E, às vezes, é preciso dar um passo para trás”. — Nicole Biles, agosto de 2020.

Nas Olimpíadas de Tóquio deste ano, uma das maiores ginastas de todos os tempos, Simone Biles, abandonou as finais da ginástica. Ela era uma das promessas de medalha para os Estados Unidos, mas resolveu desistir da competição em prol da sua saúde mental. Porém, o que isso quer dizer?

O SUS explica que a saúde mental é o bem-estar de uma pessoa. Por exemplo: se você tem um dia ruim no trabalho, mas mesmo assim fica em paz, é um sinal de que a sua saúde mental está em dia. Por outro lado, isso não quer dizer que você é feliz o tempo todo. Apenas que consegue lidar com as emoções com mais leveza.

Ao contrário do que se imagina, Simone Biles não é fraca. Viver para o esporte exige dedicação e preparo físico, mas é o emocional que faz toda a diferença. “Sinto como se tivesse o peso do mundo nas minhas costas. Faço parecer que a pressão não me afeta, mas é difícil”, disse a atleta em seu perfil no Instagram.

Sinais de que a saúde mental não vai bem

A saúde mental é tão importante quanto a saúde do corpo. O primeiro passo é prestar atenção nos sinais, que podem ser sutis ou não. Dificuldade para dormir, mudanças de humor e queda de cabelo são alguns dos sintomas mais comuns. Em todo o caso, procure a ajuda de um profissional. Doenças como ansiedade, depressão e síndrome do pânico têm tratamento!

Saúde mental no trabalho

Uma pesquisa da Capita aponta que 79% dos profissionais se estressaram no trabalho no último ano. Considerando que muitos colaboradores passam mais tempo no trabalho do que em casa, os problemas de saúde mental podem afetar o seu humor e produtividade. Nesse sentido, o Setembro Amarelo também serve de apoio e incentivo à equipe.

Como falar sobre o Setembro Amarelo?

Quer falar sobre o assunto, mas não sabe como? Antes de qualquer coisa, não seja agressivo na abordagem. O suicídio é um tema complexo e que pode despertar gatilhos. Com base nisso, use a história de pessoas que resistiram aos pensamentos suicidas e indique onde pedir ajuda, por exemplo.

Confira mais exemplos de ações:

Parar também é bom

Muitas empresas estão de home office desde o começo da pandemia. Porém, trabalhar em casa provoca a falsa sensação de que podemos produzir durante horas e sem pausas. Sendo assim, fazer alguns intervalos para relaxar e pôr as ideias em ordem é necessário. A jornada contínua provoca esgotamento e aumenta as chances de erro.

Saúde mental é bem-estar

Do mesmo modo que a sua empresa deve se importar com a saúde mental dos funcionários, ela deve transformar essa preocupação em um benefício. Estamos falando do plano de saúde, que garante acesso a psicólogos e psiquiatras por um preço mais baixo. Da mesma forma, a empresa também pode oferecer: brindes, cursos, vale-cultura e muito mais.

O esporte salva vidas

Fazer atividade física libera endorfina, uma das substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar. Por isso, empresas que se importam com a saúde física e mental da equipe podem incentivar a prática do esporte, mas como? 15 minutos de alongamento antes do expediente parece pouco, mas contribui para um dia mais leve e produtivo. Experimente!

Já meditou hoje?

Pode parecer loucura, mas a ciência comprovou que a meditação diminui o estresse e a ansiedade no trabalho. Embora seja mais comum em países da Europa, empresas daqui fazem uso da prática para melhorar o foco e o rendimento da equipe. Vale lembrar que o exercício pode ocorrer antes ou durante o expediente.

Amigos de quatro patas

Se os pets são a alegria da casa, no trabalho não podia ser diferente. Além de deixarem o ambiente mais leve e sociável, os animais de estimação diminuem o cansaço das pessoas e as deixam mais felizes. No mais, um estudo recente da Pets At Work mostra que 45% do entrevistados acha que trabalhar ao lado de um bichinho de estimação reduz o estresse.

Materiais que fazem pensar

Por fim, conteúdos criativos e dinâmicos chamam a atenção da sua equipe e a faz refletir sobre o assunto. Pretende vestir a TV corporativa e as redes sociais da sua empresa com as cores do Setembro Amarelo? Baixe grátis o material que preparamos para você! São cards, cartazes e papéis de parede para usar como quiser.

Para aprender ainda mais sobre o Setembro Amarelo

Tenho sangrado demais
Tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri
Mas esse ano eu não morro

Sujeito de Sorte (1976) – Belchior

O trecho que você acabou de ler é de uma música bem antiga, lançada em 1976. No entanto, você deve estar se perguntando: o que ela tem a ver com a campanha do Setembro Amarelo? Em junho de 2019, o rapper Emicida lançou o clipe da canção AmarElo, com a participação de Majur e Pabllo Vittar

Em resumo, o rapper usou um trecho da letra de Belchior para reforçar uma mensagem atual e de esperança: a prevenção ao suicídio. Nesse sentido, Emicida colocou, no começo do vídeo, o áudio de um amigo próximo com depressão. Ele acreditava que a morte era a única saída, mas saiu dessa e hoje está bem.

Assista você mesmo: