Estamos prestes a vivenciar um Setembro Amarelo na empresa diferente de tudo o que vimos até então.
Parte disso se deve à NR-1, que entrou em vigor em maio deste ano e trouxe novas responsabilidades para as empresas em relação à saúde mental dos colaboradores e à gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Para entender como adaptar a campanha ao contexto da sua empresa, sem deixar de lado as mudanças e os desafios do cenário atual, continue a leitura:
O que é o Setembro Amarelo na empresa?
O Setembro Amarelo na empresa é o mês dedicado à sensibilização e à prevenção do suicídio, mas, de uns anos para cá, a campanha tem trazido outras discussões.
Seja por conta do aumento dos casos de burnout, doença provocada pelo esgotamento profissional, seja pela maior atenção aos impactos do estresse, da sobrecarga e de outros fatores, a saúde mental passou a ocupar um lugar cada vez mais relevante na agenda das empresas.
Esses fatores reforçam que a sazonalidade da campanha já não se aplica da mesma forma, ainda mais considerando que esses temas não esperam a chegada de setembro para atravessar a rotina e a vida das pessoas, como mostram os dados abaixo:
Por que o Setembro Amarelo na empresa importa?
Durante muito tempo, questões relacionadas à saúde emocional e psicológica dos colaboradores foram tratadas como assuntos pessoais, que deveriam ser resolvidos da porta da empresa para fora.
Hoje, porém, sabemos que esses impactos não ficam restritos ao colaborador. A empresa, por sua vez, também é afetada por problemas como:
- queda de produtividade
- aumento de afastamentos
- maior rotatividade
- piora no clima organizacional
- redução do desempenho das equipes
O que está adoecendo os colaboradores?

As razões pelas quais os colaboradores adoecem mentalmente são inúmeras. Parte desses fatores pode estar ligada ao trabalho, enquanto outros começam fora dele, mas inevitavelmente acabam impactando a rotina profissional. Entenda:
Sobrecarga, pressão e falta de autonomia
Metas difíceis de alcançar, excesso de demandas, jornadas intermináveis, falta de apoio e pouca autonomia são alguns exemplos de fatores que podem contribuir para o adoecimento.
Não por acaso, a própria NR-1 passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Assédio, violência e conflitos
Nem todo conflito configura assédio. Ainda assim, ambientes marcados por humilhações, comportamentos abusivos, discriminação ou relações tóxicas podem afetar diretamente a saúde mental das equipes.
Inclusive, a legislação brasileira já estabelece medidas de prevenção para esse cenário. Confira algumas medidas necessárias:
- criar regras de conduta para prevenir e combater o assédio e a violência;
- disponibilizar canais de denúncia anônimos e seguros aos colaboradores;
- definir procedimentos para apuração e acompanhamento das denúncias recebidas;
- conscientizar sobre assédio, violência, igualdade e diversidade.
Endividamento e saúde financeira
Outro assunto que, até pouco tempo, era considerado inoportuno no ambiente de trabalho é a vida financeira dos colaboradores. Mas os números mostram por que esse tema merece atenção.
Uma pesquisa nacional da Serasa revelou que 84% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros.
Isso não significa que toda dívida desencadeia em adoecimento, mas reforça que dificuldades financeiras podem se transformar em uma importante fonte de estresse e preocupação.
Para o RH, isso abre espaço para ações de educação financeira, orientação sobre o uso consciente do crédito e conteúdos que ajudem os colaboradores a organizar melhor suas finanças, sem invadir a vida financeira de ninguém.
Bets e ludopatia
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação mostram que os benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS a pessoas com diagnóstico de ludopatia aumentaram mais de 2.300% entre junho de 2023 e abril de 2025.
No ambiente de trabalho, o problema pode aparecer de maneiras menos óbvias, tais como:
- dificuldades de concentração;
- queda de produtividade;
- mudanças de comportamento;
- pedidos frequentes de adiantamento salarial;
- empréstimos informais entre colegas.
O Ministério da Saúde reconhece o transtorno do jogo como um problema de saúde que pode trazer consequências financeiras, emocionais, profissionais e familiares.
Em 2026, o SUS também passou a oferecer teleatendimento especializado para pessoas com problemas relacionados a apostas e seus familiares.
Afinal, o que a NR-1 exige das empresas?
Desde maio deste ano, a NR-1 passou a deixar mais claro que os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho precisam fazer parte do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Na prática, isso implica olhar com mais atenção para situações como sobrecarga, assédio, conflitos, falta de autonomia e outras condições de trabalho que possam afetar a saúde dos colaboradores.
Entre as principais medidas estão:
- identificar os fatores de risco psicossociais presentes no ambiente de trabalho;
- avaliar esses riscos e definir ações de prevenção;
- registrar as informações no PGR, quando aplicável;
- acompanhar as medidas adotadas e revisar o processo sempre que necessário.
Como prevenir fora do Setembro Amarelo na empresa?
Se os problemas não começam em setembro, o cuidado também não deveria terminar assim que o mês acaba.
Algumas ações ajudam a transformar a campanha em um ponto de partida para uma estratégia mais ampla e estruturada:
- ouça os colaboradores por meio de pesquisas, 1:1 e canais de feedback;
- mapeie os riscos psicossociais junto ao RH, SST, CIPA e lideranças;
- prepare líderes para reconhecer, acolher e conduzir situações de sofrimento;
- revise jornadas, cultura e processos, observando sobrecarga, metas e autonomia;
- divulgue os canais de apoio e denúncia e facilite o acesso a ajuda especializada;
- aborde aspectos relacionados à saúde financeira e às apostas nas ações educativas;
- sustente a abordagem ao longo do ano, e não apenas em campanhas sazonais.
A própria OMS recomenda que a promoção da saúde mental no trabalho combine mudanças organizacionais, preparação das lideranças, informação aos trabalhadores e suporte adequado às pessoas que enfrentam problemas de saúde mental.
Para mostrar que a sua empresa está por dentro de tudo o que envolve a saúde mental no trabalho, baixe grátis o kit de endomarketing do Setembro Amarelo.
