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NR-1 e Saúde Mental: o papel da comunicação interna

Entenda como a comunicação interna pode apoiar a adequação à NR-1, fortalecer a prevenção dos riscos psicossociais e ampliar o cuidado com a saúde mental.

Desde maio, a atualização da NR-1 deixou de ser uma previsão distante e passou a fazer parte da realidade das empresas brasileiras.

Se antes as organizações tinham tempo para se adaptar à identificação, prevenção e gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, agora a fiscalização bate à porta, e quem não estiver em conformidade pode sentir o impacto no bolso.

No entanto, além de evitar multas ou penalidades, estar em dia com a NR-1 é uma forma de reafirmar o compromisso da empresa com o bem-estar e a saúde mental dos colaboradores.

Para saber como tudo isso se conecta à estratégia de comunicação interna das empresas, continue a sua leitura:

Banner clicável que redireciona à página sobre a NR-1 e o uso de tecnologia para abordar aspectos da gestão de riscos psicossociais

A atualização na Norma Regulamentadora Nº 1 exige que as empresas assumam a responsabilidade pelo mapeamento, avaliação e gerenciamento dos chamados riscos psicossociais, que agora precisam fazer parte do Programa de Gerenciamento de Riscos, o PGR.

Na prática, isso quer dizer que a empresa não deve se preocupar apenas com os riscos mais visíveis, como problemas de postura, uso inadequado de EPIs ou manuseio de máquinas. Agora, também precisa estar atenta a fatores que afetam a saúde mental, emocional e psicológica dos funcionários.

Para se ter uma ideia da dimensão do problema, um relatório global lançado pela Organização Internacional do Trabalho mostra que mais de 840 mil pessoas morrem todos os anos por condições de saúde associadas a riscos psicossociais relacionados ao trabalho, como pressão excessiva, sobrecarga de trabalho, conflitos, assédio e jornadas desgastantes.

A ideia de que um único setor dará conta de toda a adequação à NR-1 é bastante equivocada.

Estamos falando de um movimento que contempla diversas áreas da empresa, desde a equipe de Segurança do Trabalho, que vai conduzir o mapeamento e a gestão dos riscos, até o RH, que pode apoiar na criação de políticas, ações de cuidado e canais de acolhimento para os colaboradores.

Nesse processo, a comunicação interna serve para traduzir todos esses aspectos em informações claras, humanizadas e acolhedoras, seja na hora de promover uma campanha, apresentar um canal de escuta ativa ou divulgar a realização de algum treinamento.

Isso não significa que a comunicação interna, sozinha, vai atender todas as exigências previstas na NR-1. Porém, sem a ajuda dela, boa parte dessas iniciativas pode não chegar a quem realmente precisa.

Para evitar que situações assim ocorram, a comunicação interna precisa responder a perguntas como:

  • o que os colaboradores precisam saber sobre a nova NR-1;
  • como explicar riscos psicossociais de forma simples e sem gerar alarde;
  • quais canais de apoio a empresa oferece;
  • como orientar líderes para falarem sobre o tema com responsabilidade;
  • como manter a saúde mental como uma pauta contínua e não apenas sazonal.

O primeiro passo é separar o que compete à comunicação interna, o que faz parte do diagnóstico e o que deve ser tratado como uma medida real de gestão.

Uma campanha de endomarketing pode ajudar a conscientizar. Um treinamento pode orientar. Um canal de escuta pode aproximar a empresa dos colaboradores.

Ainda assim, para que essas ações realmente contribuam para a adequação à NR-1, elas precisam estar conectadas a um processo mais amplo de identificação, análise, plano de ação e acompanhamento.

Em outras palavras, não basta comunicar o problema se a empresa não estiver disposta a olhar para as causas que estão por trás dele.

Para estar realmente em conformidade, será necessário revisitar a cultura, os valores, os rituais e os processos que, muitas vezes, podem contribuir para o adoecimento, o desgaste emocional e a insegurança psicológica das equipes.

Entre os principais fatores de riscos psicossociais que merecem atenção, estão:

  • pressão excessiva por resultados;
  • sobrecarga de trabalho;
  • metas abusivas ou pouco realistas;
  • jornadas longas e desgastantes;
  • falta de clareza sobre funções e responsabilidades;
  • falhas na comunicação entre equipes e lideranças;
  • conflitos frequentes no ambiente de trabalho;
  • assédio moral, sexual ou qualquer forma de violência;
  • falta de apoio das lideranças;
  • baixa autonomia para realizar as atividades;
  • ausência de canais seguros de escuta e acolhimento.

O diagnóstico não pode se basear somente na observação. É preciso fazer entrevistas, aplicar pesquisas, analisar indicadores, ouvir lideranças e abrir espaços seguros para que os colaboradores compartilhem suas angústias, inseguranças, etc.

Esse processo ajuda a empresa a identificar pontos de atenção, entender quais situações podem estar gerando sobrecarga, insegurança ou desgaste emocional e definir medidas mais concretas para reduzir esses riscos.

Se a empresa pretende aplicar uma pesquisa de clima, por exemplo, é fundamental explicar por que ela está sendo feita, como as respostas serão utilizadas, se haverá confidencialidade e quais ações poderão ser promovidas a partir dos resultados.

O diagnóstico também pode ser fortalecido por reuniões 1:1 recorrentes, uma cultura de feedback bem estabelecida e canais anônimos de escuta. Esses recursos ajudam a criar um ambiente de mais confiança, onde os colaboradores se sentem seguros para compartilhar como estão, relatar situações delicadas e sinalizar problemas que talvez não fossem expostos em outros espaços.

Após identificar os riscos psicossociais, a empresa precisa transformar os dados coletados em iniciativas concretas.

Se uma pesquisa mostra que determinada equipe está sobrecarregada, por exemplo, a resposta não pode se limitar a uma campanha sobre equilíbrio emocional e organização de demandas.

Nesse caso, será necessário revisar demandas, redistribuir atividades, melhorar processos e preparar lideranças para definir prioridades com mais clareza.

Se o problema está relacionado a conflitos ou assédio, a empresa precisa garantir canais seguros de denúncia, fluxos de apuração, comunicação sobre condutas esperadas e ações de prevenção que envolvam líderes e colaboradores.

Dependendo da gravidade da situação, a empresa também deverá acionar as autoridades competentes, oferecer suporte adequado às vítimas e adotar as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos, independentemente da função, cargo ou nível hierárquico que ocupem.

Um dos pontos mais importantes é entender que a comunicação interna também pode gerar registros relevantes, mas eles só ganham força quando estão alinhados ao PGR e às ações conduzidas pelas áreas responsáveis.

Ou seja, o print de uma campanha, uma lista de presença ou um relatório de pesquisa não substituem o inventário de riscos e o plano de ação, mas podem ajudar a demonstrar que a empresa comunicou, orientou, treinou, ouviu e acompanhou sua equipe ao longo do processo.

Entre os registros que podem apoiar a empresa, podemos destacar:

  • materiais publicados em canais internos;
  • calendários de campanhas de endomarketing;
  • relatórios de envio;
  • indicadores de acesso;
  • listas de presença em treinamentos;
  • atas de reuniões;
  • resultados de pesquisas;
  • registros de ações com as lideranças;
  • evidências de divulgação dos canais de apoio.

Também vale registrar os desdobramentos. Se uma pesquisa apontou um risco, o que foi feito depois? Um treinamento foi realizado, mas quem participou? Determinado canal foi divulgado, mas como os colaboradores foram orientados sobre seu uso? Se uma campanha foi publicada, qual era o objetivo e a qual plano de ação ela estava conectada?

Para comprovar que está em conformidade com a NR-1, a organização deve estruturar uma documentação robusta, capaz de demonstrar quais medidas foram adotadas, quais riscos compõem o inventário de riscos e quais ações estão previstas no plano de ação para prevenir, controlar e acompanhar esses fatores de forma contínua.

Algumas perguntas podem ajudar a entender se as ações de comunicação estão realmente conectadas ao processo de adequação:

  • a empresa realizou quais ações para para comunicar a NR-1 aos colaboradores;
  • quais canais foram usados para divulgar políticas, treinamentos e canais de apoio;
  • existem evidências de envio, visualização ou participação;
  • as campanhas estão conectadas ao plano de ação do PGR;
  • a empresa acompanha os resultados das ações ou apenas publica os conteúdos.

Campanhas sazonais como o Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, e o Setembro Amarelo, voltado à valorização da vida, fazem parte do calendário de endomarketing de muitas empresas.

Para além de campanhas de endomarketing e outras iniciativas isoladas, a gestão dos riscos psicossociais precisa fazer parte do DNA da empresa, de modo a ditar a maneira como as decisões são tomadas, como a empresa lida com o erro e como as lideranças estão preparadas para lidar com pessoas, opiniões divergentes, conflitos e situações sensíveis no ambiente de trabalho.

Em resumo, campanhas como essas até servem de complemento e reforço, mas de forma alguma devem ser tratadas como a principal estratégia de prevenção dos riscos psicossociais.

A tecnologia pode funcionar como um atalho para empresas que precisam se comunicar com diferentes públicos internos, especialmente em contextos em que as equipes não trabalham no mesmo lugar, organizações possuem mais de uma sede ou parte dos colaboradores tem acesso limitado a determinados canais de comunicação.

No contexto da NR-1, canais como o aplicativo interno, a TV corporativa e a intranet web ajudam a ampliar o alcance das mensagens e evitam que a comunicação fique restrita a um único meio, formato ou perfil de colaborador.

Ao atuarem de maneira integrada, esses canais funcionam como multiplicadores das mensagens relacionadas à NR-1, garantindo que orientações sobre saúde mental e prevenção dos riscos psicossociais cheguem a diferentes públicos, em diferentes momentos da rotina.

Do mesmo modo, é importante reforçar que a tecnologia não substitui o mapeamento, a avaliação e o gerenciamento dos riscos psicossociais.

Esse processo precisa estar conectado ao PGR, às áreas responsáveis pela adequação à norma e ao trabalho de profissionais qualificados, como equipes de Saúde e Segurança do Trabalho, RH, Jurídico, lideranças e, quando necessário, especialistas em saúde mental, ergonomia ou comportamento organizacional.

O aplicativo interno pode funcionar como um canal de comunicação que cabe no bolso do funcionário.

Por ter uma experiência de uso parecida com a das redes sociais, o app ajuda a aproximar a empresa das equipes, estejam elas em casa, em deslocamento ou em outras unidades.

Além de divulgar campanhas, treinamentos, conteúdos educativos e canais de apoio, o aplicativo interno também pode apoiar processos de escuta e acompanhamento.

Na prática, o colaborador pode recorrer ao app para abrir chamados anônimos, relatar situações delicadas, sinalizar possíveis riscos ou compartilhar sua visão sobre o ambiente de trabalho em um espaço mais seguro, sigiloso e preparado para acolher esse tipo de demanda.

Na prática, o aplicativo interno pode apoiar a comunicação sobre NR-1 por meio de recursos como:

  • conteúdo sobre saúde mental, riscos psicossociais e canais de apoio;
  • pesquisas para levantar percepções sobre clima, sobrecarga, liderança e bem-estar;
  • radar do humor para acompanhar como os colaboradores estão se sentindo;
  • canal de denúncia anônima para relatos sensíveis ou situações de risco;
  • notificações e comunicados sobre treinamentos, políticas internas e ações de acolhimento;
  • registros de participação, respostas e histórico de ações realizadas dentro da plataforma.

O software de TV corporativa pode atuar como um reforço diário, contínuo e de alto impacto visual para empresas que precisam levar informações a ambientes de grande circulação, como o chão de fábrica, escritórios, refeitórios, áreas comuns, unidades operacionais e espaços de atendimento.

Por meio da TV corporativa, a empresa consegue manter a saúde mental presente na rotina dos colaboradores, reforçando campanhas de endomarketing, canais de apoio, orientações sobre condutas esperadas, lembretes de treinamentos e informações relacionadas à NR-1 de forma simples, visual e recorrente.

Na prática, o software de TV corporativa pode ser utilizado para divulgar:

  • campanhas internas sobre saúde mental, respeito, escuta e segurança psicológica;
  • canais de denúncia, acolhimento e apoio disponíveis na empresa;
  • mensagens sobre o que será e o que não será tolerado no ambiente de trabalho;
  • conteúdos educativos sobre assédio, pressão excessiva, sobrecarga e conflitos;
  • lembretes sobre treinamentos, pesquisas internas e ações de autocuidado;
  • campanhas sazonais como Janeiro Branco e Setembro Amarelo, sempre conectadas a uma estratégia mais ampla.

Mapear e gerenciar os fatores de riscos psicossociais no PGR é uma tarefa multidisciplinar e que deve ser realizada por profissionais qualificados.

No entanto, isso não significa que a empresa não possa investir em soluções que ajudem a aumentar o alcance das mensagens, fortalecer a escuta e manter os temas de assunto mental sempre frescos na memória das equipes.

Para evitar que essas diretrizes fiquem escondidas em documentos, políticas internas ou comunicados pontuais, conte com soluções que levam a comunicação para mais perto das equipes.

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